"Deus abençoe as forças da coalizão. Deus abençoe os Estados Unidos da América !". Na tarde de 17 de janeiro, o presidente norte-americano George Bush apareceu nas telas dos televisores de todo o mundo para anunciar que os terríveis aviões bombardeiros americanos estavam decolando para dar início à guerra em nome de Deus. Para Bush, Deus é americano. O presidente é presbiteriano. No dia 20 de janeiro de 1989, prestou juramento sobre a mais famosa Bíblia maçônica do mundo, conservada no museu Livingston da Loja "São João", de Nova Iorque. É a mesma Bíblia sobre a qual George Washington jurou há duzentos anos. O "deus" que invocou no dia 17 parece ser uma divindade nacional, um herói da mitologia americana. O historiador italiano Gianni Vannoni identificou na história dos Estados Unidos duas almas que se opõem: a alma da "fronteira" e a alma da maçonaria. No livro As sociedades Secretas do 600 ao 900, Vannoni explica: "O espírito da fronteira é o espírito da liberdade, e o espírito maçônico é o espírito do lucro, ou, mais exatamente, a tentativa de espiritualizar o luvro (...) a sua representação mais perfeita não é a Estátua da Liberdade, aquele fetiche de 45 metros de altura cuja pedra fundamental foi colocada solenemente pela Grande Loja de Nova Iorque, mas um pedaço de papel pequeno e ao mesmo tempo grande: o dólar. Por uma singular coincidência, a nota de um dólar tem impresso o símbolo maçônico da divindade: o olho onividente inscrito em um triângulo. É o verso do selo nacional americano: o triângulo com o olho sobre uma pirâmide sem vértice, que constitui o seu topo. Essa curiosa combinação pode representar uma democracia teocrática. O símbolo foi introduzido pelo sercretário do Tesouro da administração Roosevelt, Morghentau, em 1935, mas a sua elaboração remonta à época da guerra da independência".
Trata-se realmente de uma mitologia maçônica ? Uma das maiores autoridades americanas nesse campo, Joseph Campbell, afirmou em um livro-entrevista realizado pelo jornalista Bill Moyers (The Power of the Mithe) que o Grande Selo impresso na nota de um dólar "representa os ideais que levaram à formação dos Estados Unidos". Campbell diz: "Os primeiros americanos eram cavalheiros deístas. Na nota está escrito 'In God We trust', nós confiamos em Deus, mas não é o Deus da Bíblia. Eles não acreditavam na Queda original. Para eles, a mente do homem não estava separada de Deus; pelo contrário, eles achavam que a mente do homem, libertada das preocupações secundárias e puramente temporais, podia contemplar a mente racional de Deus. É a razão que os coloca em contato com Deus. Por isso, para eles não existia uma revelação especial". Voltemos ao Grande Selo: "A pirâmide é composta de treze filas de tijolos e traz na base uma inscrição em algarismos romanos. Obviamente, é a data de 1776. Se somarmos esses números, obtemos 21, que é a idade da razão". O lema Novus Ordo Seclorum "significa 'uma nova ordem do mundo. A outra inscrição, Annuit Coeptis, significa 'Ele foi favorável às nossas realizações' ou 'às nossas atividades'. Ele é o olho, ou aquilo que o olho representa: a razão. (...) Deveria ser a filosofia do planeta, não de um ou outro grupo (...) A pirâmide do mundo e a pirâmide da sociedade pertencem à mesma ordem: a criação de Deus e a nossa sociedade t~em a mesma estrutura". Atrás da pirâmide há um deserto. Isso tem algum significado ? "O deserto significa o caos da Europa, com as suas guerras. Nós abandonamos essa condição e fundamos uma nação em nome da razão, não do poder.". Poderíamos recordar o genocídio das nações indígenas...
Aquela pequena cédula está cheia de símbolos. "A águia, o pássaro de Zeus, representa a vinda de Deus na dimensão temporal. A ave é a principal encarnação da divindade. Aqui está representada a águia de cabeça branca, a águia americana, equivalente à águia de Zeus, o rei dos deuses". As nove penas da cauda também são um símbolo: "Nove é o número das vindas do poder divino sobre a terra". Além disso, "a cabeça da águia é circundada por treze estrelas que formam a estrela de Davi". Moyers observa que se trata de simbologia maçônica. Campbell confirma: "Sim. Alguns estudiosos tentaram reconstruir uma ordem iniciática capaz de levar a uma revelação espiritual. Os fundadores, que eram maçons, estudaram muito a tradição egípcia".
Só dois dos mais de trinta presidentes americanos não eram maçons. George Bush "é maçom e pode se orgulhar disso", como disse Giuliano Di Bernardo, Grão-Mestre do Grande Oriente da Itália. Foi o "deus" do dólar que Bush invocou para abençoar os bombardeiros ?
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