Da Reportagem Local. Folha de São Paulo,
03/07/1987.
O grão-mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, Orpheu Paraventi, disse ontem, às 17h, em entrevista coletiva do Palácio Maçônico Francisco Rorato - na rua São Joaquim, bairro da Liberdade (centro paulistano) - que o pacto social "é necessário, mas difícil, por causa das forças antagônicas do capital e do trabalho que se combatem mutuamente".
Para ele, o momento social, político e econômico do país "é perigosíssimo, podendo levar ao caos, se não forem adotadas urgentes reformas em todos os setores da vida nacional".
O grão-mestre afirmou que o país "atingiu o ponto crucial de sua crise política, que remonta aos períodos do governo vargas". Ele disse que a Maçonaria é contrária a qualquer golpe militar, "porque a experiência dos últimos vinte anos já demonstrou que este não é o caminho para o enfrentamento dos problemas nacionais".
Encontro Nacional
Acompanhado pelo grão-mestre adjunto, Salim Zugaib, Paraventi - que coordena a nível estadual, o trabalho de aproximadamente trezentas lojas maçônicas, com 50 mil filiados - apresentou detalhes sobre a 16a. Assembléia da Confederação da Maçonaria Simbóllica do Brasil, que será realizada de 19 a 25 próximos, na Assembléia Legislativa de São Paulo. Participarão da assembléia - que discutirá 0 "reordenamento institucional" e "planejamento social" do Brasil - os 25 grãos-mestres maçons de todos os Estados, acompanhados de seus assessores. Eles discutirão os termos da "Carta de São Paulo" que será entregue ao presidente José Sarney, a todos os ministros e governadores de Estados, com as propostas maçônicas para a transição política brasileira.
Maçonaria e CNBB
O grão-mestre admitiu um entendimento entre a Maçonaria e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) "em favor do bem comum" e "para tentar reverter o clima negativo atualmente existente no país".
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