Cardoso evita discutir ingresso na Maçonaria.

Folha de São Paulo, 07/11/1986.

Da Reportagem Local.





O senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB-SP), 55, candidato à reeleição, negou ontem, às 14h, em São Paulo, que esteja prestes a ingressar na Maçonaria, através do rito francês, o segundo em importância nessa instituição e que não exige a crença em Deus como condição prévia para a aceitação de novos filiados. Cardoso disse "respeitar muito" a Maçonaria, "pelo seu sentido filantrópico admirável", mas afirmou que "este não é o momento" para discutir sua entrada nos quadros maçônicos.

Palestras

O senador revelou, porém, ter feito palestras em lojas maçônicas paulistanas - uma delas sobre a campanha pelo ensino público e gratuito - nos últimos vinte anos, e que "tem muitos amigos maçons", entre os quais o ex-prefeito Mário Covas, que também disputa uma vaga de senador pelo PMDB, e o candidato do partido ao governo paulista, Orestes Quércia. Para Cardoso, "pode ser até que haja interesse" da Maçonaria em sua entrada na ordem. Segundo ele, a afirmação de lideranças maçônicas de que estaria a um passo da iniciação "é uma demonstração de boa vontade".

Na França

Cardoso negou, depois, ter feito contatos com o Grande Oriente da França e com o ex-grão-mestre Jacques Miterrand, primo do presidente François Mitterrand, também maçon, com o qual confirmou ter vínculos de amizade. O senador disse, porém, que nunca conversou com o presidente francês sobre a Maçonaria.

Em sucessivas correspondências para o Grande Oriente do Brasil, secção paulista, o grão-mestre francês Jacques Miterrand faz referências à possibilidade de ingresso, na ordem, do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Dirigentes maçônicos paulistas e cariocas entrevistados ontem pela Folha afirmaram que, "em véspera de eleições, o senador não poderia confirmar os contatos" com a instituição, "para não provocar problemas colaterais em sua campanha". Segundo esses dirigentes, porém, o senador vem mantendo contatos regulares com intelectuais e políticos integrantes da Maçonaria, entre eles o ministro do Trabalho, Almir Pazzianotto.


 
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-----------------------------7d436b0350b98 Content-Disposition: form-data; name="file6"; filename="C:\Documents and Settings\Lauro Fabiano\Meus documentos\Giuseppe Verdi\Site\textos\jornal_19870516.html" Content-Type: text/html Loja Maçônica Giuseppe Verdi
Maçonaria quer sair da clandestinidade e ser reconhecida.

Milton Blay, de Paris. Folha de São Paulo, 16/05/1987.



Ao ser recebida na noite de ontem, a portas fechadas como quer a tradição, pelo presidente da República francesa, François Mitterand, no Palácio do Eliseu, uma delegação representante dos trinta países presentes ao primeiro encontro mundial de franco-maçons deu um passo importante para o reconhecimento definitivo da instituição, vista ainda hoje com desconfiança em vários países, como na França por exemplo.

Realizado no hotel PLM Saint-jacques, na zona sul de Paris, o encontro que reuniu oitocentos maçons maçons durante quatro dias, termina hoje após ter chegado a uma conclusão que poderá modificar a fisionomia da organização: chegou a hora de abandonar a clandestinidade.

Esta declaração de intenções, ratificada pelos vários países presentes, da África, Europa, EStados Unidos e América do Sul (inclusive o Brasil), evidenciou-se nas palavras de Roger Leray, grão-mestre do Grande Oriente da França e presidente do encontro, que declarou seu desejo "ardente" de que a maçonaria seja no futuro uma "organização cultural e social ao mesmo título de outras tantas".

Este desejo de reconhecimento mais amplo vem do fato de que a maçonaria seria, muitas vezes, alvo de ataques injustos e injustificados, contra os quais não pode agir.

Ao comparar a situação da maçonaria francesa com a de outros países, Roger Leray comentou: "Ao contrário da Inglaterra, Estados Unidos e países sul-americanos, na França a maçonaria é vista como uma instituição oculta e subversiva, anticlerical por excelência".

Roger Leray espera que a partir desta reunião, com o reconhecimento expresso do Eliseu e da Prefeitura de Paris, onde os maçons foram recebidos anteontem, a situação mude e seus companheiros possam atuar um pouco mais livremente.

Os "congressistas" reconhecem que, na França como nos demais países onde a instituição está representada, o segredo que envolve a maçonaria repousa essencialmente no carater iniciático: o aprendiz, condenado ao silêncio durante um ano, só é considerado "compagnon" após uma série de provas secretas aos leigos.

Na França eles são sessenta mil - médicos, advogados, artistas, deputados, ministros, de esquerda como de direita - e ocupam um papel importante na sociedade. Aliás, em seu discurso, François Mitterrand reconheceu o papel da maçonaria no avanço da justiça social e da liberdade. Só a extrema direita é hostil aos maçons.

O encontro parisiense exemplificou esta hostilidade da extrema-direita através da presença marcante de Romulo Tromben, maçon chileno que veio dar seu testemunho sobre a expulsão de vários "irmãos" pelo presidente Augusto Pinochet. Muitos deles, afirma Tromben, ocupavam cargos importantes no governo de Salvador Allende. Para se contrapor a esta situação, Tromben e outros maçons chilenos criaram no exílio europeu a Grande Loja do Chile, através da qual eles tentam aplicar os princípios fundamentais do liberalismo maçônico, e influir na marcha da corrente progressista que luta contra o general-presidente chileno.

As duas palavras chaves desta reunião maçônica foram solidariedade e fraternidade. Os sete milhões de maçons espalhados pelo mundo desejam se conhecer e se reconhecer numa só e mesma mensagem, esperando que as portas abertas do palácio do Eliseu tenham sido o primeiro passo para o reconhecimento público.

 
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